CAPEX (Capital Expenditure, despesa de capital) é o esforço de planejamento para adquirir, construir ou melhorar um ativo que vai gerar benefício por mais de um exercício. Entra no balanço como ativo e é “consumido” ao longo do tempo via depreciação ou amortização.
Exemplos: máquinas, prédios, veículos, sistemas, expansão de fábrica, reforma que aumenta a vida útil ou a capacidade, desenvolvimento de software capitalizável.
Os setores que têm CAPEX com planejamento de investimentos são os que precisam de ativo físico grande, de vida longa e caro para existir: rede, planta, frota, mina ou fábrica. O gasto não é um pico ocasional; é parte estrutural do modelo.
O núcleo clássico
Utilities (energia elétrica, gás, água e saneamento). É o grupo mais intensivo. Na Europa, utilities lideram a intensidade de capital, na casa de 25% da receita. No Brasil, geração, transmissão, distribuição e saneamento concentram boa parte do investimento de infraestrutura.
Telecom. Rede de fibra, torres, espectro e 5G exigem desembolso contínuo. O giro do capital investido é baixo (receita sobre capital investido perto de 0,6 no recorte de telecom services), sinal de muito ativo para cada real de venda. No Brasil, o setor segue entre os maiores destinos de investimento de infraestrutura, mesmo com oscilação após o ciclo do 5G.
Óleo, gás e mineração. Plataformas, poços, dutos, minas e plantas de beneficiamento. O capex sobe e desce com o preço da commodity: ciclo de alta gera onda de investimento; excesso de oferta depois derruba retorno. No Brasil, petróleo e mineração também puxam investimento estrangeiro em projetos novos.
Transporte pesado. Ferrovias, portos, aeroportos, rodovias concedidas e companhias aéreas (aeronaves). Em ferrovias, a receita sobre o capital investido fica em torno de 0,5. Em aéreas, o capex costuma superar a depreciação com folga, porque a frota precisa ser reposta.
Indústria de base
Siderurgia, química, papel e celulose, cimento e, manufatura em geral. Montadoras também entram aqui quando constroem planta nova ou novas linhas de produção.
O que entrou no grupo recentemente
Data centers e nuvem. Hyperscalers (Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, entre os maiores) deixaram de ser “asset light”. Como o forte advento da IA a tecnologia foi “empurrada” e o utilities para o extremo histórico de capex sobre receita: Microsoft ficou na casa de 35% da receita em alguns recortes recentes. Parte desse gasto aparece em tecnologia; parte, em energia, porque o data center puxa usinas e redes.
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